Embora Santa Dulce dos Pobres seja a primeira santa nascida no Brasil, Santa Paulina, de origem italiana, foi a primeira santa a ser canonizada no país. Ela viveu parte de sua vida na cidade de Nova Trento, em Santa Catarina.
O marco inicial da missão de Santa Paulina aconteceu em um dia nublado de 12 de julho de 1890. Naquela ocasião, as jovens Amábile Lúcia Visintainer (futura Irmã Paulina) e Virgínia Nicolodi (futura Irmã Matilde) entraram em um velho casebre na companhia de Angela Viviane.
Viviane estava com câncer em fase terminal e necessitava de cuidados especiais. Foi naquele humilde ambiente que nasceu a Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição.
A cena foi retratada pelo artista Walter Smykalla (1940–2021) em uma pintura exposta na Capela das Irmãs. Construída no mesmo local onde existia o antigo casebre, a capela integra o Santuário Santa Paulina.
O complexo reúne mais de 30 locais de visitação e passou a receber um número cada vez maior de peregrinos após a beatificação de Santa Paulina pelo Papa João Paulo II, em 18 de outubro de 1991.

Vida e obra
Santa Paulina dedicou sua vida ao cuidado de doentes, idosos e órfãos. Em 1903, transferiu-se para São Paulo e, no bairro do Ipiranga, deu início à Obra da Sagrada Família, destinada a acolher ex-escravizados que, mesmo após a abolição da escravidão em 1888, permaneciam em situação de vulnerabilidade.
“Após seis anos em São Paulo, Santa Paulina sofreu terrível humilhação e injustiça. Uma autoridade da Igreja a destituiu de sua missão de Superiora Geral da Congregação que ela fundara dezenove anos antes.” – Irmã Luzia Cândido dos Santos
Em decorrência das complicações causadas pelo diabetes, Santa Paulina teve o braço direito amputado em 1938 e, posteriormente, perdeu a visão. Faleceu em 9 de julho de 1942, aos 76 anos, na Casa Geral da Congregação, em São Paulo.
Milagres e canonização
Dois milagres atribuídos à intercessão de Santa Paulina abriram o caminho para sua canonização. O primeiro ocorreu em 1966, quando uma mulher sobreviveu a um grave quadro de hemorragia pós-parto acompanhado de choque considerado irreversível.
O segundo aconteceu em 1992, quando uma menina, submetida a uma cirurgia para retirada de um tumor cerebral, encontrava-se sem perspectivas de sobrevivência e sofria convulsões.
Nos dois casos, os fiéis recorreram à intercessão de Santa Paulina utilizando objetos ligados à religiosa — no primeiro, um fragmento de sua veste; no segundo, um retrato —, graças que a Igreja reconheceu como milagres.
Em 19 de maio de 2002, na Praça de São Pedro, o Papa João Paulo II canonizou Madre Paulina, que passou a ser venerada como Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus.
Entre suas palavras mais conhecidas está o convite à perseverança na fé:
“Nunca, jamais desanimeis, embora venham ventos contrários!” – Santa Paulina


