Leão XIV, um ano de pontificado pela paz

Em quanto tempo de pontificado é possível identificar a marca missionária de um Papa? Em geral, os primeiros meses revelam o estilo pessoal, a linguagem, os gestos e as prioridades imediatas de um novo pontífice.

Com cerca de um ano, já é possível traçar um panorama mais consistente. No caso do americano Robert Francis Prévost, o 267º Sucessor de Pedro — o Papa Leão XIV —, a primeira frase dirigida ao público após o conclave talvez já contivesse a resposta.

“Que a paz esteja com todos vocês.” — Papa Leão XIV

A defesa da paz se consolidaria como uma das marcas centrais de seu pontificado, uma vez que sua eleição ocorreu em um período marcado pelo agravamento de tensões internacionais e pela escalada de conflitos que colocariam à prova a coragem de proclamar a mensagem de paz do Evangelho diante da guerra.

Em 18 de maio de 2025, durante a missa inaugural do Santo Padre, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi recebido pelo Papa. Na ocasião, Leão XIV fez um apelo por “uma paz justa e duradoura” diante da guerra entre Ucrânia e Rússia.

Este não seria o primeiro nem o último encontro diplomático do pontífice voltado aos conflitos internacionais. Líderes do Oriente Médio, como Mahmoud Abbas e Isaac Herzog, também estiveram com o Papa e ouviram apelos por um cessar-fogo na região.

Sendo o Papa uma figura investida de missão apostólica, é natural que o sucessor do apóstolo Pedro enfrente resistências, perseguições e ameaças à medida que se coloca a serviço do Evangelho. A própria história da Igreja demonstra que a fidelidade à missão evangelizadora frequentemente exige coragem diante das pressões e hostilidades do mundo contemporâneo.

“Agora, Senhor, considera as ameaças deles e capacita os teus servos para anunciarem a tua palavra corajosamente” (Atos dos Apóstolos 4,29).

Era Domingo de Ramos, em 29 de março. A Igreja iniciava a Semana Santa em meio ao agravamento das tensões entre Estados Unidos e Irã. Em discurso na Praça de São Pedro, Leão XIV criticou líderes que promovem guerras e afirmou que suas mãos estão “cheias de sangue”.

A partir de então, vieram reações contundentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em manifestações públicas e nas redes sociais, o líder americano criticou o posicionamento do pontífice. Leão XIV, contudo, manteve o tom firme.

“Vou continuar a falar em voz alta da mensagem do Evangelho.” — Papa Leão XIV

Nesta última quinta-feira (7), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, esteve reunido com o Papa no Vaticano. O encontro ocorreu a portas fechadas e, segundo a agência AFP, foi descrito por uma autoridade americana como “amigável e construtivo”.

Em entrevista ao canal de notícias CNN, o irmão do Papa, John Prevost, contou que tem buscado manter a família unida. Além das pressões inerentes à missão apostólica, Leão XIV convive também com diferenças políticas dentro da própria família. Seu irmão Louis Prevost é ideologicamente alinhado ao governo Trump.

Surpresa com o fato de os três irmãos manterem contato semanalmente, a apresentadora Erin Burnett pediu para que John explicasse como é possível existir irmãos, família e amor independentemente da política.

Ao responder, John afirmou que cada um sabe não ser capaz de mudar a opinião do outro. Por isso, os assuntos políticos são tratados com limites. Ao fim da entrevista, resumiu a relação entre os irmãos, dizendo que “existe essa conexão entre irmãos — e irmãos não brigam”.

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