Foi dentro do avião, durante uma viagem entre Roma e Bagdá, que o jornalista Salvatore Cernuzio escreveu uma carta ao então Papa Francisco. Casado e pai de quatro filhos, a vida pessoal de Cernuzio passava por um momento difícil.
Cerca de um mês depois, ele recebe uma ligação. Do outro lado da linha, Francisco pedia desculpas pela demora em responder, pois estava “um pouco ocupado”. Cernuzio relata que Francisco ficara muito comovido com a carta e perguntou como poderia ajudá-lo.
O pedido era simples — o jornalista queria uma bênção para ele e sua família. Cernuzio conta que, alguns dias após a ligação, ele, a esposa e os filhos se reuniram com Francisco. Mas este não seria o único encontro. As reuniões se tornariam regulares, fosse para discutir um projeto ou simplesmente passar as tardes tomando sorvete de doce de leite.
“Estou convencido de que recebi um presente, um presente de Deus. Não porque eu conheci um Papa, mas porque eu conheci uma pessoa extraordinária.” — Salvatore Cernuzio
Essas e outras histórias foram reunidas e contadas em detalhes no livro “Padre: um retrato inédito do Papa Francisco”. Publicada pela editora Piemme, a obra foi lançada no início de abril na Itália.
Em entrevista ao canal Orbe 21, da Argentina, ele define seu livro “como uma lente, uma lente que permite ver os detalhes de uma pintura”. Quando perguntado sobre o capítulo mais difícil de escrever, Cernuzio diz que, sem dúvida, foi a morte de Francisco.
Ele acompanhou de perto o período em que o Papa ficou internado no hospital, o retorno ao Vaticano e os dias que se seguiram até sua morte e funeral. Além da proximidade com Francisco, Cernuzio é especialista em cobrir o Vaticano e atua nos sites Vatican News e L’Osservatore Romano.
Paradoxalmente, um dos conselhos que Francisco deu a Cernuzio não está nas páginas do livro: diz respeito a seguir em frente. Mesmo quando a ausência toma o lugar da presença, seguir em frente permanece como caminho.


